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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: http://revistamododeusar.blogspot.com

 

ANTÓNIO GANCHO

( Portugal )

 

António Gancho foi um poeta português, nascido em Évora em 1940. Quem primeiro deu notícia do autor foi o grande Herberto Helder, seu admirador, com uma selecção de 11 poemas em sua antologia Edoi Lelia Doura das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa (Lisboa: Assírio & Alvim, 1985). Desde os 20 anos, Gancho vivia em instituições psiquiátricas, internado primeiramente no Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos após uma tentativa de suicídio, e, a partir de 1967, definitivamente na Casa de Saúde do Telhal, após passar por várias outras instituições. Aí morreria o poeta em 2006. Foram 38 anos de sua vida em tais manicômios.

 

Em 1995, a mesma Assírio & Alvim publicou o volume O Ar da Manhã, reunindo quatro livros: O Ar da ManhãGaio do EspíritoPoesia Prometida e Poemas Digitais. Há ainda o volume As Dioptrias de Elisa (1996). Apesar destas publicações, parece ter permanecido à margem da poesia institucional portuguesa, tendo menos o destino de um Leopoldo María Panero (1948-2014) na Espanha que o de uma Stela do Patrocínio (1941-1997) no Brasil, seus contemporâneos com experiências infernais de manicômio.

Biografia extraída de : http://revistamododeusar.blogspot.com/

 

 

Música

A música vinha duma mansidão de consciência
era como que uma cadeira sentada sem
um não falar de coisa alguma com a palavra por baixo
nada fazia prever que o vento fosse de azul para cima
e que a pose uma nostalgia de movimento deambulante
era-se como se tudo por cima duma vontade de fazer uma asa
nós não movimentamos o espaço mas a vida erege a cifra
constrói por dentro um vocábulo sem se saber
como o que será
era um sinal que vinha duma atmosfera simplificante
silêncio como um pássaro caído a falar do comprimento.

 

 

SINTAXE

 

A música vinha duma mansidão de consciência
era como que uma cadeira sentada sem
um não falar de coisa alguma com a palavra por baixo
nada fazia prevê que o vento fosse de azul para cima
e que a pose uma nostalgia de movimento deambulante
era-se como se tudo por cima duma vontade de fazer uma asa
nós não movimentamos o espaço mas a vida erige a cifra
constrói por dentro um vocábulo sem se saber
como o que será
era um sinal que vinha duma atmosfera simplificante
silêncio como um pássaro caído a falar do comprimento.

(O Ar da Manhã, 1995)

 

Noite Luarenta

 

NOITE LUARENTA

 

Noite luarenta
Noite a luarar
Noite tão sangrenta
Noite a dar a dar
Na chaminé da planície
a solidão a cismar
na chaminé da planície
noite luarenta a dar a dar
Noite luarenta
noite de mistério
noite tão sangrenta
solidão cemitério
Na chaminé da planície
o Alentejo a solidar
noite luarenta que o visse
noite luarenta a dar a dar
Noite luarenta
noite luarol
na chaminé da planície
o temor e o tremor
O cavalo a luarar
a lua a fazer meiguice
noite luarenta a luarar
noite luarenta a luarice.

(O Ar da Manhã, 1995)

 

 

HOMOSSEM

 

A noite vinha com umas mãos curvas de milagre

eram mãos tuas eram mãos minhas curvas de milagre

tu eras um holofote azul de dirigires alucinações

de prazer cor-de-rosa

tu eras uma flutuação constante de penumbra e surpresa

era um corpo de admiração e sublime

eras garbo da tua idade já noturna para o pecado

tinhas uma mão que fazia regressar o espaço

por onde puxavas o amor

eras um corpo suave de admiração e sublime

um requinte de trazeres intenções pelo fato

tinhas um casaco especial de convidar uma visita

uma surpresa emancipava-te a vontade do queixo

não esqueço uma tua boca de construção de virtudes

porque beijavas onde o símbolo requeria

havia-te casa pelo convite da mão

eu sabia que a tua palma tinha um rio que fazia estalar

o medo

era a sedução de tu meditares longamente sobre quem te fosse

mais próximo

e nascia um horizonte duma maneira do teu olhar

Fazias o espaço ser-te magia de convite

convidavas uma semente de ir lá

porque não se falava no que se ia saber

nós tínhamos um conforto de destino próximo e azul

que era a manhã de tu fazeres desaparecer o medo do rio

Não íamos quebrar fauna pelos bosques

íamos sair ao concreto do tempo

por onde tu erigisses catedrais de

inauguração sentimental

Era um amor que tinhas

era inauguração dum desejo

o medo do rio que tinha uma manhã por dentro

era tudo tão diferente e admirado de nós

a maneira das coisas nos olharem por cima do dia

como o que fosse diferente de imaginar

Nada acontecia

Tu eras um holofote azul de construíres

alucinações de meio-dia cor-de-rosa.

 

 

 

*

 

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Página publicada em abril de 2022


 

 

 
 
 
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